24 de Maio de 2017
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Piso Térreo

No início do reinado de D. Luís uma nova disposição e decoração das salas do Palácio, entregues ao arquitecto Joaquim Possidónio Narciso da Silva, acompanhou os então recentes padrões de conforto, privacidade e higiene, característicos da mentalidade burguesa do século XIX. Os espaços queriam-se agora mais íntimos e resguardados. O piso térreo inicia-se com uma sequência de quatro salas nas quais, pelas funções oficiais e privadas a que se destinavam, foi mantido um certo aparato, contribuindo para esse efeito as tapeçarias e as pinturas alegóricas dos tectos, remanescentes da decoração do início do século XIX. A partir da Sala de Música e ao longo da fachada poente, o piso térreo destinava-se aos aposentos pessoais. Introduziram-se novas dependências: Uma sala de estar – a Sala Azul, a Sala de Jantar para as refeições diárias da família, e zonas de lazer de que são exemplo a Sala de Mármore e a de Bilhar; por fim, as casas de banho dotadas de água corrente, quente e fria.

Lista de Conteúdos

  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA

    Com ambiente de representação de Estado, esta era a sala onde o monarca fazia o despacho de assuntos oficiais. O dia de recepção era a Quinta-feira. No Natal e no Carnaval a sala assumia outras ‘funções’ mais familiares: a rainha organizava aqui as festas para os príncipes D. Carlos, D. Afonso e seus convidados. Uma das aguarelas de Enrique Casanova permitiu repor, quase integralmente, a decoração da época, de que salientamos as tapeçarias com episódios da vida de Alexandre Magno, inspiradas nos cartões pintados por Charles Le Brun no século XVII. Esta série de seis panos, do século XVIII, foi provavelmente fabricada pela Manufactura de Aubusson, em França.
  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA

    O acesso à Sala de Música, a primeira sala privada dos aposentos do rei, faz-se por uma pequena antecâmara que marcava a transição de espaços e facultava a circulação com o interior do Palácio. Numa época em que a música tocada por amadores atingiu o auge, este era um espaço indispensável.
    Os serões musicais aqui passados, entre amigos, eram frequentes. D. Luís tocava flauta, piano e violoncelo, e cantava com voz de barítono. Entre todos, o seu instrumento preferido era o violoncelo, para o qual compunha e que aprendera a tocar aos oito anos de idade. Tal como a maioria das senhoras do seu tempo, D. Maria Pia tocava piano e cantava. O piano de cauda e a harpa são do conhecido fabricante francês Sebastian Erard. Muitos dos quadros que decoram a sala, da colecção privada do monarca, estavam outrora reunidos na Galeria de Pintura do Rei D. Luís, localizada na ala norte do Paço.
  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA

    Inicialmente inexistente, tornou-se indispensável a criação de um espaço de feição familiar localizado no piso térreo, de modo a proporcionar maior comodidade aos monarcas. Assim surgiu a Sala Azul, inteiramente reformulada ao gosto da rainha D. Maria Pia entre 1863 e 1865, pelo arquitecto da Casa Real Joaquim Possidónio Narciso da Silva. O revestimento das paredes em seda azul, hoje esbatida, deu o nome à sala, como era comum na época.
    Sala de estar íntima, nela se viveram momentos animados, que contaram muitas vezes com a presença de comediantes, cantores e prestidigitadores, convidados a vir ao Paço exibir a sua arte. Os serões eram passados com jogos de cartas, xadrez, leitura, ou apenas em conversa junto à lareira nas noites frias de Inverno, num ambiente informal, distante das rígidas regras de etiqueta de corte. A existência de uma aguarela de Enrique Casanova permitiu a reconstituição museológica desta sala.
  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA

    Esta sala, revestida com alabastro oferecido pelo vice-rei do Egipto ao rei de Portugal foi obra da rainha Maria Pia sob a direcção de Possidónio da Silva. Jardim de inverno, a nova sala de convívio, imprescindível nos interiores vitorianos, em tudo  se coadunava com o espírito naturalista da época. A natureza, aprisionada e trazida para dentro de casa, inseria-se nos cânones decorativos contemporâneos, que preconizavam a criação de estufas em âmbitos privados. Espaço de lazer e distracção, a Sala de Mármore era também utilizada para jantares familiares, servidos a grupos de vinte a trinta pessoas, que se sentavam numa mesa quadrada, armada em volta da fonte de mármore de Carrara.

  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA

    Local de trabalho e atelier de pintura de D. Maria Pia, este espaço de carácter essencialmente privado foi ao longo do tempo sofrendo alterações em relação à sua feição inicial. Esta sala adquiriu um significado muito especial pois aqui nasceu o príncipe real D. Carlos, a 28 de Setembro de 1863, quando a rainha contava apenas 15 anos de idade.

  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA


    Em 1861, D. Luís mandou adquirir em Paris móveis e sedas expressamente para este aposento. O estilo Napoleão III, em voga na Europa, marcou a sua opção. Com o objectivo de agradar à princesa de Sabóia, sua futura mulher, o rei interferiu directamente nesta decoração, nela investindo particular empenho. Ao quarto foi dada uma disposição de aparato: ao centro da parede principal a cama foi sobrelevada num estrado e encimada por um dossel com as armas reais. Para além dos fornecedores franceses, são numerosas as peças de origem italiana nas colecções do Palácio, quer trazidas pela rainha, quer oferecidas por cidades de Itália, quando da sua vinda para Portugal. É o caso do móvel genuflexório, presente nesta divisão, com incrustações em madre-pérola, de excepcional qualidade técnica, oferecido por Giusepe Martinotti e Figlio Luigi, artistas da cidade de Turim.
  • Foto Henrique Ruas IMC/PNA

    O projecto do Paço da Ajuda concebido por José da Costa e Silva, de 1802, não contemplava uma zona específica para sala de jantar. A existência desta divisão, executada só nos anos 80, resulta de uma série de modificações no ritual da mesa, introduzidas ou sedimentadas ao longo do século: fixação do local das refeições, criação de mobiliário para o efeito, mudanças de horários e a adopção de um novo modo de servir à mesa. adopção de um novo modo de servir à mesa. 
    De estilo Neo-renascença, directriz ditada pelos cânones contemporâneos, a ornamentação da Sala de Jantar foi adjudicada a Leandro Braga pelo arquitecto responsável, Rafael de Castro. A Sala de Jantar do piso térreo tinha um cariz familiar e era usada diariamente. À "Meza de Estado" sentavam-se os monarcas, o infante D. Afonso, os dignitários de serviço e, por vezes, algum convidado.

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